Entrego-me sem medo.
Entrego-me fazendo planos.
Esqueço as honras e as prioridades.
Perco a calma da hora e desintegro o calor da vida.
Me arremesso de cabeça pra dentro do peito.
Crio leis que não cumpro.
Desenvolvo estratégias emocionais que não aplico.
Planejo rumos que não sigo.
Embaraço-me com palavras bonitas e choro com as duras.
Retorno para o colo quem me gerou como forma de refúgio.
Guardo-me sem medo de estragar.
Se pereço acabo pensando demais.
Se me dão atenção acabo achando que sou especial.
Como tanta inquietude pode fazer de mim especial?
Não sei em que parte de mim habita o EU.
Sei apenas que nada me envolve o bastante para que eu me esqueça.
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