segunda-feira, 13 de junho de 2011
Falso Passado
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Liberto.
Um pouco de indiferença.
Era um lugar assim pequeno, lotado de surdos mudos fazendo a maior gritaria. Ela só não era maior que os berros que as cabeças ali presentes davam recriminando aquela algazarra de sinais.
Os cérebros pensantes xingavam seus problemas e aproveitavam para falar mal de tanta felicidade. Era estranho, para aqueles que não estavam acostumados com tanta gente se comunicando e se entendendo ao mesmo tempo, era como se tivessem sido jogados em outro planeta. Mal sabiam eles que os falantes das mãos estavam bem à vontade e não estavam ligando muito para tamanha indiferença.
A situação estava tensa, uma coisa sem encaixe, cheia de julgamentos de quem nada sabe. Sim eles achavam estranho tanto barulho que faziam com gestos silenciosos, estranho, pois não era um cochicho todo mundo podia ver e ouvir o que se falava. Mesmo assim a contradição humana estava gritando dentro de cada indivíduo analfabeto dos sinais, querendo entender o que se passava, ao mesmo tempo condenavam aquelas atitudes tão transparentes. Estavam com raiva da situação porque nunca em suas vidas foram tão incapazes de ouvir algo que estava sendo gritado, mas para eles era de fato muito difícil de entender, pois aquele coro de alegria artesanal estava tão claro que tornou-se inaudível.
Porto Inseguro
Vai!
Leva embora esse ar monótono que tens. Cansei desse paradeiro.
Some mesmo! Vai e leva com você a tua escrotidão, leva pra longe de mim essa geleira que me dá nos nervos e me enche de tédio!
Leva embora daqui esse seu olhar de vidro, essa falsa modéstia, essa rima podre!
Tira daqui esse olhar sonso que finge amar, leva esse amor de areia para outra praia, meu mar é completo, não precisa da tua presença sem entrega.
Vai mas não se esquece de recolher as roupas suadas e devolver meu coração que por sinal te aluguei.
Arranca de mim essa insegurança, ela é tua e eu me enjoei.
Então Pinte as paredes e reforme a cozinha, eis aqui a tua carta de despejo!
Vai logo!
Já anunciei a vaga!
Vai!
Outro inquilino já chegou e quer entrar.

