segunda-feira, 13 de junho de 2011

Falso Passado


Eu não quero nada do passado, mas ele insiste em me aporrinhar!
Tantas saudades, incertezas, inquietações, nostalgias e sussurros sensuais ao pé do meu ouvido.
E eu sei que não dá certo, eu sei. Sempre sei.
Mas esse canto de sereia me atrai.
 Como sempre uma mentira, uma linda mentira dessas que me fazem acreditar que tudo vai dar certo e que sua imagem estática que mantenho cá dentro é real.
Mas não é. Não é. Não é! (GRITO!)
Essa redoma de mentiras me atenta e me afasta.
Como um imã eu chego e como o vento eu me vou.
Faço da minha inquietação um prazer momentâneo carregado de desconfiança.
Mais tarde ao deitar me arrependo e sofro envergonhado pela noite que me satisfez.
Fico meio altruísta, meio bobo. Culpado e inocentado.
Temeroso e quase apaixonado.
A razão do que não sinto está em minhas atitudes e no bico que faço quando te vejo.
Tsc.Tsc.Tsc
Que droga! Mais uma noite desperdiçada com tua presença vaga.
Mais uma noite que depois de tudo ainda sinto que posso ser teu e não sou.
Objeto? É o que sou.
Tocado e marcado pela dor e o prazer de não ter.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Liberto.


Minha liberdade é inafiançável.
Minha liberdade é incondicional.
Não me dou à toa, minha única prisão é com a vida.
Só arrasto as correntes que quero.
Eu engano a morte.
Sinto o vento e o afago com o rosto.
Tenho pena de ti que acha que sou posse.
Fico aqui até quando eu desejar.
Não me tens assim como queres.
Nem eu me tenho.
Minha saudade é  ferro, se desfaz com o tempo.
Chega de tentar me prender, isso só me afasta.
Vê se para de tentar me marcar como um bicho.
Vaidoso daquele ser Narciso de tão ciumento!  
Coitado só o espelho lhe quer!
Pois que o seja assim!
Mas que seja com ele mesmo não comigo minhas asas são grandes demais para serem cortadas.
Já te avisei, se tentar vai se cansar.
Eu só amo quando não quero.



Um pouco de indiferença.

Era um lugar assim pequeno, lotado de surdos mudos fazendo a maior gritaria. Ela só não era maior que os berros que as cabeças ali presentes davam recriminando aquela algazarra de sinais.

Os cérebros pensantes xingavam seus problemas e aproveitavam para falar mal de tanta felicidade. Era estranho, para aqueles que não estavam acostumados com tanta gente se comunicando e se entendendo ao mesmo tempo, era como se tivessem sido jogados em outro planeta. Mal sabiam eles que os falantes das mãos estavam bem à vontade e não estavam ligando muito para tamanha indiferença.

A situação estava tensa, uma coisa sem encaixe, cheia de julgamentos de quem nada sabe. Sim eles achavam estranho tanto barulho que faziam com gestos silenciosos, estranho, pois não era um cochicho todo mundo podia ver e ouvir o que se falava. Mesmo assim a contradição humana estava gritando dentro de cada indivíduo analfabeto dos sinais, querendo entender o que se passava, ao mesmo tempo condenavam aquelas atitudes tão transparentes. Estavam com raiva da situação porque nunca em suas vidas foram tão incapazes de ouvir algo que estava sendo gritado, mas para eles era de fato muito difícil de entender, pois aquele coro de alegria artesanal estava tão claro que tornou-se inaudível.

Porto Inseguro

Some!
Vai!
Leva embora esse ar monótono que tens. Cansei desse paradeiro.
Some mesmo! Vai e leva com você a tua escrotidão, leva pra longe de mim essa geleira que me dá nos nervos e me enche de tédio!
Leva embora daqui esse seu olhar de vidro, essa falsa modéstia, essa rima podre!
Tira daqui esse olhar sonso que finge amar, leva esse amor de areia para outra praia, meu mar é completo, não precisa da tua presença sem entrega.
Vai mas não se esquece de recolher as roupas suadas e devolver meu coração que por sinal te aluguei.
Arranca de mim essa insegurança, ela é tua e eu me enjoei.
Então Pinte as paredes e reforme a cozinha, eis aqui a tua carta de despejo!
Vai logo!
Já anunciei a vaga!
Vai!
Outro inquilino já chegou e quer entrar.