“Hoje assisti novamente o DVD de uma cantora que admiro muito, Danni Carlos, e no making off falando sobre a sua banda ser a sua segunda família ela explica que a palavra família é uma derivação de flâmula e flâmula vem de fogueira, fogo. Portanto família seriam as pessoas que estão ao seu lado na fogueira para compartilhar o seu calor.”
“É uma linda analogia.”
A cada passo dado nos deparamos com pessoas que surgem de todos os lados, algumas vão te fazer rir, chorar, apaixonar e ainda vai ter aquela que não vai fazer a menor diferença no seu caminho. É justamente neste detalhe que quero chegar, não acredito em acaso nem predestinação, mas o destino está ai para provar que cada ser humano está interligado e que cada um tem sua importância no mundo e na vida do outro. Fazemos parte, da grande teia da vida onde cada um tem seu papel a cumprir, logicamente escolhemos e traçamos nossas vidas de acordo com sonhos e ideais. Além das nossas referências.
Família é aquele círculo imposto quando nascemos nos dão nomes que podemos não gostar, nos ensinam valores éticos e morais e etc.
Ela pode nos estragar ou não.
Família é a nossa primeira referência em tudo. Obviamente que não quero aqui falar que família é apenas sangue, pois não é. Vai muito além do sangue.
O sangue tem um significado muito grande e lindo, ele é uma garantia de que fazemos parte de algo, a segurança humana se acaba quando se acaba a certeza da solidão. Alguns canibais comiam seus inimigos para ganhar sua força, conquistar o seu poder, os vampiros metaforicamente se alimentam de sangue para viver, os deuses de algumas culturas recebem sangue como oferenda, pois a crença é de que eles se mantêm vivos através do sangue. É cultural e cultura não pode ser contestada, relativizamo-la.
O sangue tem um grande significado, a força, a união, o laço. Quem tem sangue tem vida. Ninguém nasce senão do sangue e ninguém vive sem sangue. O que seria o sangue senão um pacto com o outro? “fura o dedo faz um pacto comigo”
Mas o que fazemos pelo sangue? Vivemos como canibais, vampiros ou como o que?
De nada adianta ter um instrumento e não saber tocar, onde se perdeu a vontade de celebrar ao lado dos que amamos e nos libertar das amarras sociais sem pudor, sem medo, sem maldade? O amor não pode ter limite, amar não exige nada esse é o sentido do amor: Ele só é e pronto. Esquecemos a “antropofagia familiar”, a partilha, a celebração para dar espaço aos olhos de quem não nos levará a lugar algum apenas para a cadeira de réu estamos dando mais espaço para a interferência universalista que para mim não é tão humanitária assim. Ainda há tempo, a fogueira não apagou e podemos sentar em volta dela com os nossos, sejamos apenas mais tolerantes e abertos, esqueçamos as fronteiras, vamos abrir os braços para a verdadeira comunhão. O mais importante de tudo é não haver obrigação podemos ter a família com pessoas que nos chegaram ontem ou hoje, não importa de onde vem o laço importa que ele exista. Felipe Paz Monteiro
Sangue
Calor
Fogo
Fogueira
Círculo
Família
Há um laço...
PS: A PALAVRA SANGUE AQUI UTILIZADA TEM SENTIDO ESPIRITUAL. NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA A NENHUM TIPO DE PRÁTICA.QUE FIQUE CLARO.