quinta-feira, 31 de maio de 2012

Rendez-vous


Seu nome de guerra era Íris e não era a dos olhos de Deus como canta Daniela.
Vivia na noite passando de mão em mão.
Mãos sem amor.
Sua luta era pela vida que não sabe se é sua.
De batismo chamava-se Alberto.  
Era doce e frágil, mas carregava na alma a obrigação de se manter distante.
Distante do amor.
Distante da felicidade.
Distante de casa.
Havia momentos em que achava estar distante de si.
Como suportar a dor de se entregar em lugares espelhados mais decentes que a sua casa?
Toda noite uma cama diferente.
Um homem diferente.
Um valor diferente.
Um xingamento diferente.
Uma agressão diferente.
Um hematoma diferente.
E um sofrimento igual ao de tantos anos.
Nada havia mudado.
Como com Gisberta de Abrunhosa  o desejo partiu.
Se foi , sem deixar marcas.
Nada sentia senão a insatisfação.
Conformava-se com suas poucas vestes, mesmo estando com frio.
Eram instrumentos.
Talvez lhe atirassem pedra hoje e amanhã lhe cuspissem.
Talvez.
E enfeitada de medo estava ali, com toda firmeza e dor desejando que a noite lhe trouxesse o próximo toque de invasão.
Era naquele instante, mais um humano lutando para sobreviver.
Mais uma noite se passara e ainda tinha vida.
Agradeceu.
Perguntou-se se não estaria apenas ocupando um espaço que não era seu.
Uma lágrima lhe escorreu pelo rosto e quase se entregou a um choro rasgado.
Seria ela tal qual Geni de Chico, Carregada de bondade e asco no coração?
Não sabia.
Em alguns poucos segundos parou-lhe próximo um automóvel negro, com um comandante forasteiro, então enxugou as lágrimas e fingiu um sorriso pungente.
Então, como já era de costume , obedeceu e embarcou no zepelim.



quarta-feira, 30 de maio de 2012

No cair das roupas



Desconcentro-me dessa brincadeira, ao observar, o compasso avesso das nossas vestes jogadas no chão, por intermédio do desejo. Nenhum momento é para mim assim tão desconcertante quanto, observar nossas roupas esquecidas por conta da pressa exaustiva... Elas já amassadas pelo transtorno tão empolgante me deixam entre a janela e o copo de cerveja... Observo-nos... Ah! Cansei de toda essa observação. Vamos nos vestir e esquecer toda essa imoralidade.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Depois de ler Jabor.


Se “amor é prosa e sexo é poesia”
Te desejo como prosa.
Depois seremos poesia...
...Crônicas, contos, artigos ,ensaios, romances...

domingo, 20 de maio de 2012

Bicho.

O que nos difere dos bichos no momento da carne?
Somos carne.
Comemos carne.
Seja presa, ou predador somos bichos insaciáveis de desejo.
De quatro como cães.
De lado como golfinhos.
Roçando como pássaros.
Gritando como leões.
Urrando como cavalos.
Somos nós todos uns selvagens.
Igualamo-nos as nossas comidas.
Somos nós.
Desejosos e afoitos.
É talvez essa característica, a de ser animal que nos torna humanos.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Concluo.



Disseram que ele era fogo que ardia sem se ver...
Quem não viu, sentiu.
Para quem não ama o amor é chato.
Reprime-se.
É hostil.
Perde-se o sono
Preocupa-se à toa.
O coração não bate forte.
Um tédio eterno..
Um cumprimento.
Saídas indispostas.
 “Destino de um só”
Jiló na boca da criança...
Quando se ama, é diferente, a paixão toca fogo.
Parece um tufão chegando quente!
Arde! E arde muito! Quem ama, vê!
Se espalha e sai queimando...
É fogo pra todo lado!
E mesmo nesse calor quer-se dormir juntinho.
Cobrir a orelha.
Apertar a criatura!
Suar! Suar! Suar!
Uma felicidade só!
É sorriso daqui até ali.
Já vivi?
Não sei.
Quero viver?
Talvez.
Humildemente questiono e finjo...
Sei , que o amor é doce como o algodão que nasce na praça.
Posso até estar errado.
Mas sou “ozado” e defino-te como quero
Amor... Sei que isso tudo é tu.
Mas e tu, amor? Sabes quem eu sou?
Se tudo é uma troca eu tenho direitos!
E os quero cumpridos!

domingo, 6 de maio de 2012

Nosce te ipsum

Chora.
Ama.
Sorri.
Canta.
Clareia.
Bate.
Toca.
Sente.
Pega.
Cospe.
Transa.
Bebe.
Come.
Assume.
Desiste.
Persiste.
Olha.
Respira.
Paga.
Deseja.
Esconde.
Mostra.
Reclama.
Vive.
Faz.