quinta-feira, 27 de outubro de 2011

41 minutos

O cansaço dessa espera tornou as coisas mais reais.
O que era ilusão para mim agora é razão.
Posso de todas as formas te pedir para ficar e implorar a sua presença.
Mas o gosto amargo dessa espera me fez perceber que a minha prece não tinha valia.
Eu queria te levar para o paraíso mas não fui tão sagaz quanto a serpente.
Poderia também fazer da sua vida um inferno, mas você não aceitou o meu fruto proibido.
Devia ter me recolhido quando era hora e entendido o seu recado frio.
Mas relutei e fui contra a maré para buscar o meu desejo.
Acabei me afogando em vontades que não aconteceram tudo foi apenas espera.
Te esperei e você não chegou e eu burro já devia estar acostumado com as tuas faltas.
Quero agora que você aprecie o seu dia como se eu nunca tivesse sido parte dele.
Ou melhor continue levando a vida mansa que leva sem mim sem a graça do meu riso, sem a força da minha alegria, sem a sorte que eu trago, sem a calma na catástrofe, sem o cuidado das minhas mãos, sem meu colo quente e sem o apoio dos meus ombros.

41 minutos

O cansaço dessa espera tornou as coisas mais reais.
O que era ilusão para mim agora é razão.
Posso de todas as formas te pedir para ficar e implorar a sua presença.
Mas o gosto amargo dessa espera me fez perceber que a minha prece não tinha valia.
Eu queria te levar para o paraíso mas não fui tão sagaz quanto a serpente.
Poderia também fazer da sua vida um inferno, mas você não aceitou o meu fruto proibido.
Devia ter me recolhido quando era hora e entendido o seu recado frio.
Mas relutei e fui contra a maré para buscar o meu desejo.
Acabei me afogando em vontades que não aconteceram tudo foi apenas espera.
Te esperei e você não chegou e eu burro já devia estar acostumado com as tuas faltas.
Quero agora que você aprecie o seu dia como se eu nunca tivesse sido parte dele.
Ou melhor continue levando a vida mansa que leva sem mim sem a graça do meu riso, sem a força da minha alegria, sem a sorte que eu trago, sem a calma na catástrofe, sem o cuidado das minhas mãos, sem meu colo quente e sem o apoio dos meus ombros.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Prioridade

Não, o nome do que estou vivendo agora não é egoísmo chama-se amor próprio.
Já pensei demais em muitas pessoas que simplesmente escolheram viver suas vidas e só perceberam a minha falta quando fui embora.
Sinto agora dentro de mim a imensa vontade de viver mais , sentir mais, e sim pensar mais.
Mais em mim antes de tudo. Não insisto como antes. Não dou mais murro em ponta de faca e nem mesmo tento me equilibrar em fios de nylon.
O fato é que aprendi que todas as vezes que eu fui de contra a maré da minha vontade o meu barco simplesmente afundou.
E só eu sei o que é ser náufrago dentro de um navio construído com os matérias mais raros e quase que explorados experimentalmente.
 Hoje carrego nas costas bagagens que tinha medo. O medo era medo de mim.
Hoje além dessas bagagens tenho outras prioridades que não cabem sentimentos snobes nem abrir mão do que eu quero por ninguém.
Tenho outras prioridades, uma delas é viver.

domingo, 16 de outubro de 2011

Repreensão

Cinco reais lhe seriam muito bem vindos, a mim não faria falta nem justificaria a minha posse.
Entreguei-lhe o dinheiro sem apego ou preocupação com o não ter.
Ela me sorriu um sorriso de alívio, um sorriso que só dá quem precisa alimentar suas crias.
Um sorriso sem dentes devido aos maus tratos que a vida lhe proporcionou.
Eu automaticamente devolvi o sorriso e disse amém para o seu “Deus o abençoe”.
Caminhei pela rua alguns minutos tentando me concentrar apenas em minhas sacolas cheias e ao me encontrar sozinho desabei em um choro que só uma mãe desesperada para alimentar seus filhos entenderia.  
Quiçá Deus também entendesse meu pranto de desespero... Chorei como uma criança ao ser repreendida e eu o estava sendo.
Naquele momento, naquela rua... Era eu ali com as sacolas cheias de comida e o rosto coberto de lágrimas sendo repreendido pela vida e pela falta que o outro sofre, e eu por vezes finjo não ver.

*Polireligiosidade

Banhei-me de alfazema para esquecer-me de você.
Mandei fazer um bonequinho de vodu e batizei com o seu nome.
Entreguei farofa de dendê na encruzilhada para o povo da rua te levar embora.
Joguei sal grosso nas costas e usei arruda atrás da orelha.
Prometi subir as escadas de joelho e acender velas caso meus votos se concretizassem.
Escrevi seu nome na praia pra onda apagar.
Orei na Igreja Universal junto com os 360 pastores.
Briguei com a família para não deixarem você entrar mais aqui.
Pedi a benção de um padre na missa das oito.
Entoei mantras budistas de libertação.
Rezei para Santo Antônio me trazer um novo amor.
Tudo isso aconteceu e eu não vejo mais você, só guardo um retrato velho na gaveta e a mágoa que ficou no coração.

*Polireligiosidade : Esta palavra não existe.

Trilha

Quero a liberdade à tona tomando conta do meu mundo.
Fazendo despertar anseios lá de onde o vem o vento pálido.
Vou correr mundo para estreitar meus laços com os povos, descobrir tecnologias antes descartadas, experimentar gostos jamais imaginados.
Serei selvagem em meu ser inquieto descobrindo espaços e cálices.
Toda bagagem que carrego é a palavra, minha palavra, minha ordem e minha sobreposição.
Eu farei meu destino. E eu o faço a cada minuto.
Mudarei o rumo sem medo.
Voltarei se for preciso.
Desatarei os nós do tempo e despertarei para uma nova manhã revelada em luzes.
Cantarei ao mundo minha felicidade de viver, meu despertar e a minha força!
Trilha
Quero a liberdade à tona tomando conta do meu mundo.
Fazendo despertar anseios lá de onde o vem o vento pálido.
Vou correr mundo para estreitar meus laços com os povos, descobrir tecnológicas antes descartadas, experimentar gostos jamais imaginados.
Serei selvagem em meu ser inquieto descobrindo espaços e cálices.
Toda bagagem que carrego é a palavra, minha palavra, minha ordem e minha sobreposição.
Eu farei meu destino. E eu o faço a cada minuto.
Mudarei o rumo sem medo.
Voltarei se for preciso.
Desatarei os nós do tempo e despertarei para uma nova manhã revelada em luzes.
Cantarei ao mundo minha felicidade de viver, meu despertar e a minha força!

Preferência

Prefiro me manter apaixonado pelo sorriso que me negas do que ter que não sentir.
Prefiro me esbaldar na cama em meu banquete de pensamentos que não pensar.
Prefiro desejar a sua boca todas as noites do que ficar seco e sem paixão.
Tenho alguns desejos que me incomodam mais que a falta da tua pele quente.
Tenho incômodos maiores que a estrada que liga nossos caminhos.
Incômodos que me deixam a mercê da noite onde caminho solitário e vulnerável.
Melhor seria estar longe, sem você, mas não você está aqui comigo a toda hora e isto está se tornando insuportável!
Não há razão para esse meu sofrimento, mas quando sinto o frio da noite prefiro te imaginar ao meu lado e acabo ardendo de desejo e dor.

Grato

Tenha Pró-atividade comigo.
Porque metade do que sinto é pouco, pouco para caber dentro do peito.
Deixa eu te invadir com minha força.
Se não tens noção do que sinto, tenta ao menos perceber que isto tudo cá dentro é para você.
Porque mesmo forte sou frágil e mesmo tranquilo sou impaciente.
Tenha cuidado comigo pego fogo rápido.
Não me deixe sozinho no mar pois me dissolvo.
Guarde-me como um objeto de mera admiração e tire de mim a poeira de vez em quando.
Deixe-me interessado constantemente, pois não gosto do ócio.
Pegue-me pela mão ao subirmos as escadas.
E me componha uma canção na madrugada.
Ponha minha música preferida para tocar bem alto.
E a cante mesmo desafinando.
A noite não buscarei provas, serei apenas amor.
E sim serei grato por todos os teus atos.
Mas a única coisa que me fará falta será o amor.
Então esqueça tudo que fez... se não me amar já era!
De nada valeu todo o seu esforço.

Epifania

A inspiração não me deixa dormir, meu pensamento se prende ao meu travesseiro e grita para eu ouvi-lo.
Não! Não é inspiração.
É o desejo chamando por mim.
Como cordas em meu pescoço ele me aperta e me faz inquieto.
Um salve para esses pensamentos que me perturbam mais que ajudam! Eu acostumado com a melancolia dominical, me prendo e me erro de novo imaginando-me em teus braços.
Minhas conexões desfeitas nos lençóis me apavoram.
Meu pensamento não para, não para de me fazer lembrar-me de você.
Eu quero esquecer! Ah meu Deus como eu quero esquecer essa criatura que só me visita em sonhos, quero me esquecer da risada, do rosto, do corpo e do beijo tão perfeito.
E com toda essa vontade de esquecer me dou amor e deliro em nove segundos trépidos, cheios de afagos a mim mesmo e desejos noturnos de ter.
Entrego-me em um êxtase imaginário do teu sexo e me esvazio das emoções recorrentes dessa minha obsessão desesperada em que me encontro.
E depois dessa epifania me chega um cansaço típico dos que amam.

Satisfação e certeza.

Hoje fiz tudo que amo acordei tarde, não fui trabalhar, não botei as lentes e saí de óculos , não penteei os cabelos, esqueci a dieta e comi dez coxinhas.
Vi o pôr do sol no porto, assisti três curtas tomando coca-cola, ri na cara de uma pessoa rude, beijei os pés da Imagem de Iemanjá, brinquei com uma criança no ônibus, dei comida pra um cachorro e cantei “Balacobaco” de Rita Lee bem alto.
 Cheguei em casa satisfeito e com a certeza que vivi.

Satisfação e certeza.

Hoje fiz tudo que amo acordei tarde, não fui trabalhar, não botei as lentes e saí de óculos , não penteei os cabelos, esqueci a dieta e comi dez coxinhas.
Vi o pôr do sol no porto, assisti três curtas tomando coca-cola, ri na cara de uma pessoa rude, beijei os pés da Imagem de Iemanjá, brinquei com uma criança no ônibus, dei comida pra um cachorro e cantei “Balacobaco” de Rita Lee bem alto.
 Cheguei em casa satisfeito e com a certeza que vivi.

Fruto

Você levou embora meus sonhos e me deixou vazio com toda a minha entrega em mãos.
Roubou a minha força e meu açúcar se dissolveu no seu mar de sal.
E como um pescador desapontado, voltei pra casa sem o fruto do trabalho, tinha apenas a esperança presa a uma rede e a tristeza em forma de chapéu.
Eu de tão doce estava amargo e carregado de amargura me afoguei em prantos jamais navegados, estava eu agora nadando num abismo profundo e escuro.
Sofri.
Mas a minha força voltou aos poucos e com o tempo a minha maré ruim se foi e os ventos me trouxeram novas ondas onde pude navegar em paz sozinho sem esperar por nenhum tipo de acalanto.
Sim agora forte posso até chegar de mãos vazias, pois não tenho mais que te alimentar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Primeiro ato.

Felicidade onde não há felicidade.
Tristeza onde não há tristeza.
Luz onde não há luz.
Escuridão onde não há escuridão.
Hoje onde não há o ontem.

Primeiro ato.

Felicidade onde não há felicidade.
Tristeza onde não há tristeza.
Luz onde não há luz.
Escuridão onde não há escuridão.
Hoje onde não há o ontem.