quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mãe Bahia


Me Põe no colo mãe Bahia!
Abrace-me a cada passo mal dado.
Briga comigo quando eu te fizer mal!
Cante para eu dormir em teus seios fartos de alegria.
Põe tempero na minha vida e felicidade no meu coração.
Quero pimenta no meu acarajé todos os dias.
Quero pegar o mais belo araçá em tuas árvores desgastadas.
Quero comer feijão com bastante farinha.
Quero me sentar no porto e ver o sol indo iluminar o outro lado quase chorando por se despedir de ti.
Quero dançar um samba rasgado na ponta do pé descendo as ladeiras do Pelô.
Quero seguir o povo nas lavagens, no carnaval e nos cortejos.
Quero me esbaldar em teu banquete de felicidade ,trabalho e horas de preguiça, deixando muita gente cheia de inveja.
Inveja não, vontade...
Vou te fazer um pedido mãe Bahia, nunca me deixe sair da sua casa.
Aqui me sinto feliz.
Aqui sou acolhido com sorrisos e enxotado aos palavrões.
Aqui posso seu eu de dia, de tarde e de noite.
Não me acorde desse sonho tão cheio de vida.
Me deixe aqui nesse estado de Odara, cheio de Axé!
Cada um que te sente pede pra ficar, e te implora para ficar mais um pouco.
A alegria do teu povo sofrido torna-se uma alegoria todo carnaval.
Quem chega só vê felicidade e esquece o teu passado de busca incessante pela liberdade. Pensam só nas praias, nas comidas, nas festas e nas fotos com nossa gente já caracterizada e acostumada com a exploração.
Não permitas que teu povo sofra mais mãe Bahia, faz com que cada dia seja melhor para todos nós mesmo diante das dificuldades.
Esqueça as bicicretas, os busus , os carro e deixe que vamos de pé viu minha mãe?
Felipe Paz Monteiro

Obs: Erros de português propositais.




Chão Doente


Criança doente.
Criança sem dente.
Pé descalço. Pé no chão. Pé e mão.
O pão de cada dia depende da sorte ou da piedade alheia.
Não quer estudar, brincar, chorar, sorrir ou amar.
Quer viver. Lutando a cada dia para obter o mínimo de espaço em um mundo que julga não ser seu.
Todo o dia segue a rotina de um guerreiro em busca da vitória.
Um caçador do asfalto. No mato se esconde do perigo.
Menino doente. Menino bobão. Menino Ladrão.
A safadeza da vida brilha em seu rosto. A safadeza que ainda não devias ter.
Não tem arte ou artista que te faça ser criança novamente.
Não tem decreto que te faça voltar ao colo perdido da mãe.
Não tem carnaval que te faças dançar.
Nada no bolso.
Nada no coração.
Sem pai.
Sem mãe.
Sem pão.
Só chão.
Felipe Paz Monteiro