Eu não tenho saudades de você tenho saudades de quem você era.
Tenho saudades do tempo em que o amor era nosso único plano.
Do tempo em que os tijolos emocionavam os olhos cansados da labuta.
Não me fale que estou errado eu realmente sempre me dispus a isso.
Agora tem uma parte de mim desejando que eu nunca tivesse te conhecido.
Tudo foi embora como o anel de vidro que se quebrou.
Não tevês capacidade para me segurar, voei como passarinho e sofri longe da gaiola.
Perdi-me na minha liberdade e desejei voltar para tua prisão.
Eu estava ali preso, mas vivo, tinha o que comer e o que beber com a segurança de um juiz.
Mas teu amor me feriu, quis de mim e eu te dei.
Pedi e você me negou.
Doeu. E percebi que foi melhor.
Já me bastava o sofrimento de antes.
Eu estava acostumado com ele.
Não. Não fale que eu estou te julgando. Eu já te condenei antes.
Não há como me desprender dessa raiva? Desse ódio? Desse amor?
Desse desespero que quer me devolver para o teu purgatório?
Não quero esse rancor, mas infelizmente tenho boa memória.
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