sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A chave de mim

Abro meus braços pro mundo onde o tempo se transforma em canção e o verbo em destino.
Abro meu peito para poder respirar e sentir a brisa que bate em meu rosto.
Abro meu coração para o amor que ainda não quero que bata na porta.
Abro a janela de casa para o sol iluminar o cristal e refletir o prisma da vida na minha parede.
Abro a porta da sala para o vizinho se acolher na minha lareira inexistente.
Abro um buraco no chão para me esconder da vergonha que sinto em não ter vergonha.
Abro um romance e me pergunto em cada página dobrada o motivo de tanto amor sem dono.
Abro a gaveta para ver fotos antigas e fico sorrindo com o canto da boca.
Abro os olhos e vejo que depois de tanta poesia, preciso abrir minha caixa de e-mails e só.

Felipe Paz Monteiro

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