sábado, 9 de junho de 2012

Nosce te ipsum II


De que adianta tanta beleza se és incapaz de se olhar no espelho?
De que adianta tanto orgulho no peito se tua cabeça não descansa no travesseiro?
Para que servem teus sorrisos se eles são todos amarelos?
Para onde vais com essa coragem contra o mundo se tens medo de si mesmo?
Perde-se em desejos de vingança e esquece-se de agradecer a glória.
Esqueceu-se do paraíso ou nunca lhe confiaste?
Enganaram-te.
Tu enganou.
Pergunto por onde andas agora, já que a faca não penetrou teu peito endurecido.
Sumo com a lembrança da pena que tive de ti.
Exemplifico em analogias tuas dores e te desejo um anestésico.
Se deixou cegar pela falsa luz do ódio.
O poder corrompeu a tua alma perdida.
Que poder?
Torço para que pare de apontar falhas em quem não te vê.
Ouça o som do tambor no seu peito abatido.
Permita criar um instante de felicidade nesse coração intransigente.
Troca o peso da culpa pela arte do perdão.
Renova-te e perdoa-te.
Olhe-se no espelho.
O que vê?
Será que vê?
Veja , é você.

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