Algumas vezes faço o que não gosto apenas pelo desejo de mudar.
Carrego anseios que eu não entendo.
O tédio me persegue, quando não o quero ele chega e se faz inquilino quando o quero ele me ignora.
Fico parado sem sentir.
Como Antunes, peço socorro!
Quando não sinto paro no tempo.
Esqueço a noite veloz!
Nem Fernando Pessoa me toca.
Corro sem rumo em busca do que desejo.
Firo-me com uma carta para abrir o peito e tocar o coração.
Não dói.
Não sangra.
Não sinto.
Desespero-me.
Fico indiferente a tudo.
Sou só eu. Sem precedentes. Ansiando pelo inesperado.
O esperado já me tem.
Quero o que não é.
Qual a minha opção me libertar de um passado maravilhoso?
O que fazer para garantir um futuro bom?
Se não sinto nada no presente temo a desistência do continuar.
Quero sentir o peito ardendo.
O pelo arrepiando.
As mãos se movendo.
Penso no sentir e meus pensamentos me dissolvem como as emoções de uma pedra.
Sinto-me torto com tantos pensamentos discordantes.
Deram-me uma máscara, mas era de papel marche e se desfez na chuva.
Meus sentimentos se foram.
Volto aos pensamentos e arrisco julgar que quem não se entrega aos sentimentos talvez seja mais feliz que eu.
Quem não pensa, muito mais.
Mas eu não quero uma felicidade fria e burra.

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