Seu nome de guerra era Íris e não era a dos olhos de Deus como canta Daniela.
Vivia na noite passando de mão em mão.
Mãos sem amor.
Sua luta era pela vida que não sabe se é sua.
De batismo chamava-se Alberto.
Era doce e frágil, mas carregava na alma a obrigação de se manter distante.
Distante do amor.
Distante da felicidade.
Distante de casa.
Havia momentos em que achava estar distante de si.
Como suportar a dor de se entregar em lugares espelhados mais decentes que a sua casa?
Toda noite uma cama diferente.
Um homem diferente.
Um valor diferente.
Um xingamento diferente.
Uma agressão diferente.
Um hematoma diferente.
E um sofrimento igual ao de tantos anos.
Nada havia mudado.
Como com Gisberta de Abrunhosa o desejo partiu.
Se foi , sem deixar marcas.
Nada sentia senão a insatisfação.
Conformava-se com suas poucas vestes, mesmo estando com frio.
Eram instrumentos.
Talvez lhe atirassem pedra hoje e amanhã lhe cuspissem.
Talvez.
E enfeitada de medo estava ali, com toda firmeza e dor desejando que a noite lhe trouxesse o próximo toque de invasão.
Era naquele instante, mais um humano lutando para sobreviver.
Mais uma noite se passara e ainda tinha vida.
Agradeceu.
Perguntou-se se não estaria apenas ocupando um espaço que não era seu.
Uma lágrima lhe escorreu pelo rosto e quase se entregou a um choro rasgado.
Seria ela tal qual Geni de Chico, Carregada de bondade e asco no coração?
Não sabia.
Em alguns poucos segundos parou-lhe próximo um automóvel negro, com um comandante forasteiro, então enxugou as lágrimas e fingiu um sorriso pungente.
Então, como já era de costume , obedeceu e embarcou no zepelim.

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