Cinco reais lhe seriam muito bem vindos, a mim não faria falta nem justificaria a minha posse.
Entreguei-lhe o dinheiro sem apego ou preocupação com o não ter.
Ela me sorriu um sorriso de alívio, um sorriso que só dá quem precisa alimentar suas crias.
Um sorriso sem dentes devido aos maus tratos que a vida lhe proporcionou.
Eu automaticamente devolvi o sorriso e disse amém para o seu “Deus o abençoe”.
Caminhei pela rua alguns minutos tentando me concentrar apenas em minhas sacolas cheias e ao me encontrar sozinho desabei em um choro que só uma mãe desesperada para alimentar seus filhos entenderia.
Quiçá Deus também entendesse meu pranto de desespero... Chorei como uma criança ao ser repreendida e eu o estava sendo.
Naquele momento, naquela rua... Era eu ali com as sacolas cheias de comida e o rosto coberto de lágrimas sendo repreendido pela vida e pela falta que o outro sofre, e eu por vezes finjo não ver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário