terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sombra

O quão perfeito você é?
O que te faz tão especial a ponto de me negar respostas?
O te faz melhor? Tudo aquilo que não você não tem?
O que te faz ser superior quando ninguém consegue tocar a sua alma?
O que te faz crer que a possibilidade do calar ou a manutenção de suas monossílabas te faz alguém bom?
Aquilo que reclamas é exaltado por quem vive.
Aquilo que condenas é aclamado por quem ama.
Aquilo que te negas é vivido por quem é.
E tu quem é?
Quem te deu o direito de se achar Deus?
Quem te fez com tanta força para negar ao outro um pedaço do que não é seu?
Quanta paz você carrega que nem consegue se suportar?
Quem mais poderia ser além do fracasso que te espera?
O que antes era pena tornou-se nojo.
Não há como negar o cuspe nesse teu prato que saliva merda.
Não há como não enxergar a farsa que você é.
Senta-se no trono e finge ser rei para poder enganar a si próprio.
Distingue-se dos outros sim, pela covardia e falta de vida.
Diferencia-se com a falta daquilo que não sabe dar.
Grande hipocrisia cheia de açúcar que enjoa só de olhar.
Confere a ti o mínimo de prazer em ser quem és.
Resoluções não vão cair do céu.
Mas tu deixaste cair o véu.
O véu de tua sombra, que tanto negaste.
Nada mais tenho a declarar, pois que fique com as batatas.
Tudo bem, você venceu, mas eu ganhei.

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