quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um pouco de indiferença.

Era um lugar assim pequeno, lotado de surdos mudos fazendo a maior gritaria. Ela só não era maior que os berros que as cabeças ali presentes davam recriminando aquela algazarra de sinais.

Os cérebros pensantes xingavam seus problemas e aproveitavam para falar mal de tanta felicidade. Era estranho, para aqueles que não estavam acostumados com tanta gente se comunicando e se entendendo ao mesmo tempo, era como se tivessem sido jogados em outro planeta. Mal sabiam eles que os falantes das mãos estavam bem à vontade e não estavam ligando muito para tamanha indiferença.

A situação estava tensa, uma coisa sem encaixe, cheia de julgamentos de quem nada sabe. Sim eles achavam estranho tanto barulho que faziam com gestos silenciosos, estranho, pois não era um cochicho todo mundo podia ver e ouvir o que se falava. Mesmo assim a contradição humana estava gritando dentro de cada indivíduo analfabeto dos sinais, querendo entender o que se passava, ao mesmo tempo condenavam aquelas atitudes tão transparentes. Estavam com raiva da situação porque nunca em suas vidas foram tão incapazes de ouvir algo que estava sendo gritado, mas para eles era de fato muito difícil de entender, pois aquele coro de alegria artesanal estava tão claro que tornou-se inaudível.

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