Criança doente.
Criança sem dente.
Pé descalço. Pé no chão. Pé e mão.
O pão de cada dia depende da sorte ou da piedade alheia.
Não quer estudar, brincar, chorar, sorrir ou amar.
Quer viver. Lutando a cada dia para obter o mínimo de espaço em um mundo que julga não ser seu.
Todo o dia segue a rotina de um guerreiro em busca da vitória.
Um caçador do asfalto. No mato se esconde do perigo.
Menino doente. Menino bobão. Menino Ladrão.
A safadeza da vida brilha em seu rosto. A safadeza que ainda não devias ter.
Não tem arte ou artista que te faça ser criança novamente.
Não tem decreto que te faça voltar ao colo perdido da mãe.
Não tem carnaval que te faças dançar.
Nada no bolso.
Nada no coração.
Sem pai.
Sem mãe.
Sem pão.
Só chão.
Felipe Paz Monteiro
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